Série Produtor Rural

Agroquímicos estimulantes, extratos vegetais e metabólitos microbianos na agricultura
Maressa Caldeira Morzelle, Leila Priscila Peters, Bruno Geraldi Angelini, Paulo Roberto de Camargo e Castro, Ana Carolina Cabrera Machado Mendes
1414-4530-63

Agroquímicos estimulantes diferem dos pesticidas e herbicidas por provocarem baixo impacto e toxidez, mas mostram-se capazes de promover efeitos importantes nas plantas de forma a alterar o desenvolvimento e a produtividade dos cultivos. Os principais são os biorreguladores, bioestimulantes e bioativadores, além dos agroquímicos fitotônicos. Vamos, em seguida, caracterizar e exemplificar a ação desses quatro grupos.

Processamento mínimo de hortaliças: princípios e práticas
Ricardo Alfredo Kluge, Ana Cecília Silveira, Carlos Inestroza-Lizardo, Natalia Dallocca Berno
1414-4530-62

Os produtos minimamente processados (PMPs) já fazem parte do dia a dia dos consumidores, devido às mudanças contínuas dos hábitos alimentares. A redução de tempo para o preparo dos alimentos, à busca para uma alimentação mais saudável, e a redução no número de membros da família, abriu a possibilidade da entrada destes produtos no mercado, que não para de crescer. Os PMPs têm sido comercializados em pequenas porções e são rapidamente consumidos, devido a sua conveniência e às garantias de alimento seguro. O Ministério da Saúde, em seu guia alimentar para a população de 2014, preconiza a substituição dos produtos processados e ultraprocessados, por produtos mais saudáveis, como os in natura e os minimamente processados (BRASIL, 2014).

O termo minimamente processado (MP), fresh-cut ou produtos de IV gama, identifica produtos vegetais que sofrem uma série de operações que os tornam pontos para o consumo ou preparo. Estas operações incluem: seleção e classificação da matéria prima, pré-lavagem, descascamento, corte, sanitização, enxague, centrifugação e embalagem, e visam à obtenção de produto fresco, conveniente para o preparo ou consumo e, ainda, com segurança alimentar.

A durabilidade deste tipo de produto é extremamente baixa, entre 3 a 10 dias, dependendo do produto, se comparada ao produto inteiro. Isso acontece porque, na superfície do corte, as células e as membranas celulares são danificadas, ocorrendo alterações no metabolismo celular. Isso torna essenciais os rigorosos processos de higienização durante o preparo, uso baixas temperaturas durante o preparo e a manutenção da cadeia de frio durante a comercialização.

Canola (Brassica napus L.)
Jéssika Angelotti-Mendonça, Lucas Baiochi Riboldi, Carlos Dornelles Ferreira Soares, Paulo Roberto de Camargo e Castro, Ricardo Alfredo Kluge
1414-4530-61

A canola (Brassica napus L.) é uma oleaginosa que foi desenvolvida a partir do melhoramento genético da colza, que por sua vez, teve origem por meio do cruzamento interespecífico que ocorreu de forma espontânea entre a mostarda (Brassica rapa L., syn. campestris) e o repolho selvagem (Brassica oleracea L.). Alguns autores afirmam que essa espécie surgiu no norte da Europa, enquanto outros sugerem que foi na região mediterrânea, onde ambas espécies progenitoras existem.

A espécie é dividida em duas subespécies, a spp. oleífera, utilizada para produção de óleo, tanto para a indústria alimentícia como para a produção de biodiesel, sendo também utilizada em práticas como a rotação de culturas e para ração animal, e a spp. rapifera, chamada também de rutabaga ou nabo sueco, que possui raízes alongadas, e sua parte aérea é usualmente usada para confecção de forragem.

Canola é a abreviação de ‘CANadian Oil Low Acid’, termo comercial utilizado para designar o óleo que, devido ao melhoramento, passou a ter quantidades adequadas de compostos que poderiam de outro modo, causar toxicidade. Entre os óleos vegetais, o óleo de canola destaca-se como um dos melhores em relação à composição de ácidos graxos, possuindo menores teores de gorduras saturadas, maiores teores de gorduras monoinsaturadas, além de alto teor de vitamina E e ômega-3. 

A produção no Brasil é apenas da spp. oleífera, que foi iniciada em escala comercial em 1974 no Rio Grande do Sul. O cultivo da canola no sul do país apresenta diversas vantagens, principalmente na viabilidade na rotação de culturas com o milho, soja, 6 Canola (Brassica napus L.) trigo e feijão, aumentando o rendimento e a qualidade desses grãos, por controlar doenças e melhorar a eficácia na utilização de nutrientes, bem como representar uma boa fonte de biomassa para o solo.

O maior produtor ao nível mundial de canola é o Canadá, que em 2013 produziu mais de 17 milhões de toneladas de grãos. O Brasil tem uma área plantada de canola estimada em torno de 40,5 mil hectares, com uma produtividade média de 1.546 kg ha-1. Os principais produtores nacionais são os estados do Paraná e Rio Grande do Sul, a produção nacional em agosto desse ano, atingiu 62,6 mil toneladas.

Plantas medicinais: patas-de-vaca
Alisson Henrique Domingos, Lindolpho Capellari Júnior
1414-4530-60

O uso de plantas para o tratamento das moléstias humanas remonta aos primórdios da civilização. Os conhecimentos foram, nas tribos primitivas, sendo obtidos através de percepções dos efeitos de certas plantas e transmitidos de geração em geração. No antigo Egito são encontrados diversos manuscritos em papiro que registraram o uso de espécies da flora com finalidade medicinal. Já na Mesopotâmia, foi registrada em escrita cuneiforme, nas placas de barro pelos sumérios, a utilização de ervas, tais como o tomilho (Thymus vulgaris L.) e o ópio (Papaver somniferum L.). No Brasil, por sua vez, quando aqui chegaram os europeus, foram encontradas diversas espécies medicinais sendo vastamente utilizadas pelos povos indígenas, conhecimentos estes detidos pelos pajés e que eram transmitidos e aprimorados a cada geração (BEVILACQUA, 2010). 

Devido à grande diversidade vegetal do território brasileiro muitas são as espécies medicinais encontradas, como as plantas do gênero Bauhinia, pertencentes à família Fabaceae, onde estão agrupadas as diferentes espécies popularmente conhecidas como pata-de-vaca, ou ainda, em algumas regiões, unhade-vaca, unha-de-boi ou bauínia.

Tradicionalmente, difundiu-se como medicamentosa Bauhinia forficata Link, que possui flores brancas, pétalas lineares (longas em comprimento e curtas em largura) e folhas com formato bem próximas às marcas deixadas pelas patas dos bovinos. Já nas regiões do Cerrado e Amazônia, a medicina popular registra o uso de Bauhinia rufa (Bong.) Steud. e Bauhinia guianensis Aubl., respectivamente.

De origem indiana, Bauhinia variegata L. é amplamente empregada no Brasil na arborização urbana, principalmente nas regiões sul e sudeste, devido ao seu potencial ornamental e tolerância à geadas (LORENZI et al., 2003). Tal predominância faz com que, durante muito tempo, a população venha confundindo as espécies e fazendo uso desta como medicinal, principalmente de Bauhinia variegata var. candida (Aiton) Buch.-Ham., que apresenta flores brancas, semelhantes às de B. forficata aos olhos de um leigo. 

O potencial ornamental do gênero Bauhinia é reforçado ainda por outras espécies como: B. galpinii N.E. Br., B. tomentosa L., B. purpurea L. e Bauhinia x blakeana Dunn, sendo esta última, segundo Lau et al. (2005), um híbrido natural entre as espécies B. variegata e B. purpurea.

Estudos recentes, porém, vêm demonstrando que algumas espécies, até então consideradas apenas ornamentais, como B. tomentosa e B. purpurea, podem apresentar compostos potencialmente medicinais relacionadas às atividades microbianas (SILVA; CECHINEL FILHO, 2002). 

Farmacologicamente, as patas-de-vaca são vastamente empregadas como: diurética, hipoglicemiante, tônica, adstringente, cicatrizante, anti-inflamatória, antialérgica e expectorante, tendo as flores ação laxativa suave (CARNEIRO et al., 2014). B. forficata é a espécie mais estudada como medicinal. O primeiro ensaio farmacológico dessa espécie é datado do início do século XX, resultado que já apontava para suas propriedades hipoglicêmicas (JULIANE, 1929). Dada sua ampla divulgação é considerada pelas comunidades rurais como a “pata-de-vaca-verdadeira” (SILVA; CECHINEL FILHO, 2002).

Vale ressaltar ainda que o uso dessa espécie combinado com outros medicamentos deve ser feito sob acompanhamento médico, uma vez que pode ocasionar hipoglicemia. Além disso, deve ser evitada por pessoas que apresentam distúrbios na coagulação sanguínea (LIMA, 2008).

Marques et al. (2012), através de análise qualitativa por cromatografia em camada delgada, evidenciaram também seu potencial antioxidante, enquanto Oliveira et al. (2005), por sua vez, verificaram que extratos aquosos de B. forficata são capazes de neutralizar a ação coagulante do veneno de jararacuçu (Bothrops jararacussu Lacerda) e cascavel-de-quatro-ventas (Crotalus durissus terrificus Laurenti).

No Brasil, o Ministério da Saúde expediu uma relação das Plantas Medicinais de Interesse ao SUS, onde é citado Bauhinia spp. (B. affinis, B. forficata ou B. variegata), fazendo, conforme dito anteriormente, confusões quanto às espécies do gênero para utilização medicinal. A regulamentação dos fitoterápicos é realizada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), que por meio da Resolução da Diretoria Colegiada Nº 10, de 9 de março de 2010, não traz em sua lista de plantas medicinais reconhecidas as patas-de-vaca (espécies do gênero Bauhinia), mesmo que algumas tenham sido comprovadas cientificamente como medicinais. Embora ainda não regulamentada, por meio da Resolução da Diretoria Colegiada Nº 26, de 13 de maio de 2014, em seu anexo I, a ANVISA traz uma lista das espécies que não podem ser utilizadas na composição de fitoterápicos, a qual, por sua vez, não inclui nenhuma das espécies aqui apresentadas.

Assim, o objetivo desse trabalho é oferecer informações botânicas dessas plantas, que se constituem de suma importância para a diferenciação das espécies visando seu uso correto. Além disso, dado o potencial medicinal e ornamental do gênero, serão abordados aspectos agronômicos extremamente pertinentes, uma vez que estes promovem estudos das estratégias de propagação das espécies e seu cultivo; quer sejam elas destinadas à arborização urbana ou no plantio em áreas externas a cultivos medicinais como “quebra-vento”.

Microrganismos estimulantes na agricultura
Jonathas Pereira Graças, Camila Ribeiro, Fabiane Aparecida Artioli Coelho, Marcia Eugenia Amaral Carvalho, Paulo Roberto de Camargo e Castro
1414-4530-59

A presença de uma grande diversidade de microrganismos na rizosfera, especialmente de rizobactérias, despertou a curiosidade para o estudo da relação existente entre bactéria-planta, visando esclarecer os benefícios que esta interação pode trazer para a produção agrícola. Das diversas rizobactérias existentes, destacam-se as denominadas RPCP (Rizobactérias Promotoras de Crescimento das Plantas), seja pela produção de substâncias promotoras do crescimento, como os hormônios vegetais, ou pela proteção que oferece às plantas contra doenças e pragas (MAHESHWARI, 2011; PEREIRA et al., 2012; CHAUHAN; BAGYARAJ; SHARMA, 2013; GHEVARIYA; DESAI, 2014).

Rizobactérias estimulantes produzem metabólitos diretamente relacionados ao crescimento da planta (auxinas, giberelinas e citocininas). Também sintetizam antibióticos, sideróforos e ácido hidrocinâmico (HCN) que reduzem a atividade de patógenos. Promovem ainda melhor desenvolvimento das raízes (e, consequentemente, da planta) por modificar propriedades físicas, químicas e biológicas do solo ou substrato (DIMKPA; WEINAND; ASCH, 2009; MAHESHWARI, 2011; CHAUHAN; BAGYARAJ; SHARMA, 2013). As rizobactérias são geralmente bactérias não simbióticas dos gêneros Pseudomonas e Bacillus, mas também existem muitos relatos dos efeitos benéficios de Herbaspirillum e Gluconacetobacter (MAHESHWARI, 2011).

Rizobactérias estimulantes produzem metabólitos diretamente relacionados ao crescimento da planta (auxinas, giberelinas e citocininas). Também sintetizam antibióticos, sideróforos e ácido hidrocinâmico (HCN) que reduzem a atividade de patógenos. Promovem ainda melhor desenvolvimento das raízes (e, consequentemente, da planta) por modificar propriedades físicas, químicas e biológicas do solo ou substrato (DIMKPA; WEINAND; ASCH, 2009; MAHESHWARI, 2011; CHAUHAN; BAGYARAJ; SHARMA, 2013). As rizobactérias são geralmente bactérias não simbióticas dos gêneros Pseudomonas e Bacillus, mas também existem muitos relatos dos efeitos benéficios de Herbaspirillum e Gluconacetobacter (MAHESHWARI, 2011).

Condicionadores do solo: ácidos húmicos e fúlvicos
Vanessa Cristina Caron, Jonathas Pereira Graças, Paulo Roberto de Camargo e Castro
1414-4530-58

Um desafio na agricultura atual é equacionar a crescente demanda por quantidade e qualidade dos alimentos com a exploração racional do meio ambiente. O sucesso de muitos cultivos tem sido associado à intensa aplicação de insumos que, apesar de todos os efeitos visíveis no crescimento, desenvolvimento e produtividade das plantas, por vezes, são dispendiosos e quando não manejados corretamente a longo prazo, geram impactos negativos na ecologia de uma determinada região agrícola. Nesta perspectiva, destacam-se os ácidos húmicos e fúlvicos, que naturalmente resultam da decomposição da matéria orgânica e são capazes de estimular alterações fisiológicas nas plantas, as quais podem contribuir para um melhor desenvolvimento, o que é essencial para que se obtenha ganhos em produtividade. Somado ao tradicional sistema de aplicação de insumos, deve-se considerar o potencial dos ácidos húmicos e fúlvicos para a resposta desejada nas culturas. Nos tópicos seguintes, será apresentada uma caracterização dessas substâncias associada a seus efeitos na fisiologia das plantas com os possíveis impactos para aplicação na agricultura.

Aminoácidos e suas aplicações na agricultura
Paulo Roberto de Camargo e Castro, Marcia Eugenia Amaral Carvalho
1414-4530-57

A utilização de aminoácidos na agricultura tem sido praticada por várias décadas, no Brasil e no mundo, em diversas culturas. O número de empresas, ofertando no comércio uma ampla gama de produtos, a base de aminoácidos, vem aumentando consideravelmente. Muitos técnicos e produtores relatam benefícios na utilização destes produtos. Entretanto, existem controvérsias sobre a utilização de aminoácidos na agricultura, uma vez que a aplicação isolada dos mesmos raramente tem mostrado efeitos significativos na produtividade vegetal. Poucos trabalhos científicos são encontrados demonstrando a eficácia destes produtos. A ausência de fiscalização e a classificação como fertilizantes para a comercialização dificulta a avaliação da eficácia destas substâncias nas plantas (CASTRO et al., 2009).

Extratos de algas e suas aplicações na agricultura
Marcia Eugenia Amaral Carvalho, Paulo Roberto de Camargo e Castro
1414-4530-56

O desempenho das culturas pode ser melhorado com o uso de extratos de algas marinhas, que constituem uma alternativa ecologicamente correta ao uso de fertilizantes e bioestimulantes. A utilização de extratos de algas na agricultura vem aumentando significativamente nas últimas décadas, sendo observado que consideráveis parcelas dos 15 milhões de toneladas métricas de algas marinhas colhidas anualmente, são empregadas como estimulantes (KHAN et al., 2009; CRAIGIE, 2011).

Bioestimulantes são uma mistura de hormônios com compostos de natureza química diferente, tais como aminoácidos, vitaminas, sais minerais etc. Por afetarem de alguma forma o desenvolvimento vegetal, são compostos amplamente utilizados na agricultura.

Podemos considerar os extratos de algas também como agentes antiestressantes, uma vez que afetam o sistema antioxidante (enzimático e não-enzimático) das plantas, aumentando a tolerância do vegetal frente a condições ambientais adversas e melhorando a capacidade de recuperação após o estresse (ERVIN et al., 2004; ZHANG; ERVIN, 2004; NAIR et al., 2011), o que pode potencialmente incrementar ou, ao menos, manter a produção das plantas, mesmo sob condições não ideais de cultivo.

Framboesa: cultura alternativa para pequenas propriedades rurais em regiões subtropicais
Jaqueline Visioni Tezotto-Uliana, Ricardo Alfredo Kluge
1414-4530-55

A framboeseira (Rubus ideaus L.) apresenta fácil condução, não necessita de grandes investimentos para implantação, garante excelente retorno econômico em curto espaço de tempo e ainda proporciona alto valor agregado aos alimentos que contenham framboesa na sua composição. Dessa forma, o cultivo desta espécie frutífera vem conquistando novos produtores e recebendo cada vez mais destaque no Brasil.

Com base nos dados divulgados por Pagot e Hoffmann (2003) e pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE (2007), o país cultiva uma área de 40 hectares de framboesa e colhe 240 toneladas anualmente, o que representa 0,05% da produção mundial. O volume gerado é pequeno, no entanto, a produtividade nacional está acima da média dos países de maior produção. Outro fator relevante é a boa qualidade das frutas nacionais, que atingem os padrões necessários para exportação.

O clima ideal para o cultivo da framboesa se encontra em regiões com verão relativamente fresco e inverno de temperatura amena. No entanto, propriedades localizadas em regiões subtropicais ou tropicais, com região de microclima temperado, estão colhendo framboesa.

Quanto ao consumo, o destaque está nas suas propriedades nutricionais (Tabela 1). O ácido ascórbico representa 0,03% da composição da framboesa, o que a classifica como fonte de vitamina C e equipara o seu conteúdo vitamínico ao do caju e da goiaba. Também apresenta quantidades consideráveis de provitamina A, vitaminas B6, minerais, fibras e compostos fenólicos.

Portanto, todos esses fatores fazem com que a framboesa represente uma boa alternativa de diversificação para as pequenas propriedades rurais e agroindustriais.

Ecofisiologia dos Adubos Verdes
Giovani Rossi, Paulo Roberto de Camargo e Castro
1414-4530-51

Todos os organismos vivos estão sob constante influência do meio ambiente. No caso da maioria absoluta das plantas terrestres, parte delas encontra-se envolta pelo ar e outra parte pelo solo.

A parte aérea das plantas está exposta a vários fatores climáticos, como radiação, temperatura, umidade, água, entre outros. Por outro lado, as raízes deparam-se com um ambiente constituído por partículas orgânicas e inorgânicas de diferentes tamanhos e pequenos espaços preenchidos por ar e por uma solução líquida, de onde a planta tem acesso a água, nutrientes, gases e onde ocorre o contato com microrganismos. Ao estudo da interrelação entre esses meios e a planta, sob o ponto de vista morfofisiológico e bioquímico, dá-se o nome de ecofisiologia.

Quando não ocorre uma perfeita harmonia entre os fatores climáticos e a ecofisiologia da planta, dá-se inicio a processos que interferem acentuadamente em seu metabolismo, podendo ocasionar, entre outros, alterações no crescimento e ou desenvolvimento, e em condições extremas, levar as plantas à senescência. Esses processos são denominados “estresses”.

O conhecimento do comportamento ecofisiológico de uma espécie de interesse econômico possibilita o planejamento de sua implantação, expondo a planta às condições ambientais mais favoráveis, aumentando a expressão de seu potencial genético. 

São inúmeras as espécies cultivadas no Brasil. A grande maioria é destinada à alimentação humana e animal, enquanto outras fornecem produtos utilizados indiretamente, como o algodoeiro (Gossypum hirsutum), o qual produz fibras para confecção de roupas e para outros fins. Outra forma de utilização refere-se ao emprego de espécies específicas que proporcionam a melhoria do ambiente, de maneira eficiente e em nível significativo. Ao grupo de espécies que melhoram as características físico-químicas e biológicas do solo, dá-se o nome de adubos verdes.

A adubação verde possibilita a recuperação da fertilidade do solo, proporcionando: o aumento do teor de matéria orgânica, da capacidade de troca catiônica e da disponibilidade de micronutrientes; formação e estabilização de agregados; melhoria das condições para infiltração de água e aeração; diminuição da amplitude de variação térmica; controle de nematóides e fornecimento de nitrogênio obtido da fixação biológica (IGUE, 1984), sendo este processo de extrema importância e complexidade (gênica, fisiológica e bioquímica).

Poucos foram os trabalhos realizados relacionados à ecofisiologia das diferentes espécies vegetais utilizadas como adubo verde. Quando existentes, as informações são escassas, se comparadas a culturas tradicionais, como a soja (Glycine max) e o milho (Zea mays).

O objetivo deste trabalho é proporcionar aos leitores inicialmente uma rápida revisão sobre os conhecimentos referentes à ecofisiologia, as interações dos fatores edafoclimáticos com as plantas, a ação dos diferentes “agentes estressantes” sobre a planta, e posteriormente, uma discussão mais aprofundada da ecofisiologia dos adubos verdes, de maneira geral e específica para as principais espécies.

Em função de sua grande extensão territorial, o Brasil possui uma enorme diversidade edafoclimática, sendo variável entre regiões ou até mesmo entre áreas geograficamente próximas, em função da altitude. O intuito deste volume não é abordar o comportamento das diferentes espécies de adubo verde para cada condição edafoclimática encontrada no país, haja vista a falta de informações e as especificidades de cada local. Assim, procurou-se abordar as informações mais relevantes sobre as principais espécies, além de informar as características geográficas (latitude, longitude, altitude), tipo de clima e classe de solo dos locais onde experimentos foram realizados, possibilitando a transposição dos resultados gerados para locais com características semelhantes, bem como a utilização das informações de modo a inferir sobre a viabilidade de utilização racional de determinada espécie para cada condição edafoclimática. 

Desta maneira, caberá aos leitores deste texto seguir ou adaptar as informações aqui citadas de acordo com as características pertinentes ao local de interesse dos mesmos.

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